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Definição
A arte concreta deve ser compreendida como parte do movimento
abstracionistas moderno, com raízes em experiências como a do grupo De
Stijl [O Estilo], criado em 1917 na Holanda por Piet Mondrian
(1872-1944), Theo van Doesburg (1883-1931), Gerrit Thomas Rietveld
(1888-1964), entre outros. A abstração geométrica testada pelo grupo
holandês ecoa, com novos matizes, na manifesto Arte concreta redigido
em 1930 por Van Doesburg, em oposição a outras tendências abstratas,
por exemplo, as professadas pelo grupo Cercle et Carré, fundado em 1929
em Paris pelo crítico Michel Seuphor (1901-1999) e pelo pintor Joaquín
Torres-García (1874-1949). O termo "arte concreta" vai ser retomado por
outros artistas, Wassily Kandinsky (1866-1914) por exemplo,
popularizando-se com Max Bill (1908-1994), ex-aluno da Bauhaus. Os
princípios do concretismo afastam da arte qualquer conotação lírica ou
simbólica. O quadro, construído exclusivamente com elementos plásticos
- planos e cores - não tem outra significação senão ele próprio. A
pintura concreta é "não-abstrata", afirma Van Doesburg em seu
manifesto, "pois nada é mais concreto, mais real, que uma linha, uma
cor, uma superfície". Max Bill (1908-1994) vai explorar essa concepção
de arte concreta, defendendo a incorporação de processos matemáticos à
composição artística e a autonomia da arte em relação ao mundo natural.
A obra de arte não representa a realidade mas evidencia estruturas,
planos e conjuntos relacionados, que falam por si mesmos.
Menos que alardear um novo movimento, a noção de "arte concreta" visa
rediscutir a linguagem plástica moderna. Os suíços, especialmente Max
Bill (1908-1994), Richard Paul Lohse (1902), Verena Loewensberg
(1912-1986) etc., recolocam o problema da bidimensionalidade do espaço
pictórico introduzido pelo cubismo ao definir o quadro como suporte
sobre o qual a realidade é reconstruída, e passível de ser apreendida
de múltiplos ângulos. Assim, com os concretos, a pintura vai se
aproximar de modo cada vez mais radical da escultura, da arquitetura e
dos relevos. Da pauta do grupo fazem parte também pesquisas sobre
percepção visual, informadas pela teoria da Gestalt, e a defesa da
integração da arte na sociedade pela participação do artista nos vários
setores da vida urbana, ênfases da Hochschule für Gestaltung [Escola
Superior da Forma], fundada por Max Bill (1908-1994) em Ulm (1951), e
que dá prosseguimento ao projeto Bauhaus. Max Bill (1908-1994) é o
principal responsável pela entrada desse ideário plástico na América
Latina, sobretudo na Argentina e no Brasil, no período após a 2ª Guerra
Mundial (1939-1945). A exposição do artista em 1951 no Museu de Arte de
São Paulo Assis Chateaubriand - Masp e a presença da delegação suíça na
1ª Bienal Internacional de São Paulo, no mesmo ano, abrem as portas do
país para as novas tendências construtivas, que serão amplamente
exploradas a partir de então. Os prêmios concedidos à escultura Unidade
tripartida de Max Bill (1908-1994) e à tela Formas de Ivan Serpa
(1923-1973) na 1ª Bienal, realizada no Museu de Arte Moderna de São
Paulo - MAM/SP, constituem sintomas da atenção despertada pelas novas
linguagens pictóricas.
O impacto das representações estrangeiras na Bienal se relaciona de
perto às modificações verificadas no meio social e cultural brasileiro.
Cidades como Rio de Janeiro e São Paulo iniciam seus processos de
metropolização, alimentados pelo surto industrial e pela pauta
desenvolvimentista, que alteram a paisagem urbana. Do ângulo das artes
visuais, a criação dos museus de arte e de galerias criam condições
para a experimentação concreta nos anos 1950, com o anúncio das novas
tendências não-figurativas. É importante lembrar nessa direção as
seguintes exposições: 19 Pintores, na Galeria Prestes Maia, em São
Paulo, semente do grupo concreto paulista; Do figurativismo ao
abstracionismo, no MAM/SP, em 1949; A. Calder, no Masp, em 1949 e
Fotoformas, de Geraldo de Barros (1923-1998), no Masp, em 1950. O ano
de 1952 e a exposição do Grupo Ruptura marcam o início oficial do
movimento concreto em São Paulo. Criado por Anatol Wladyslaw (1913),
Lothar Charoux (1912-1987), Féjer (1923-1989), Geraldo de Barros,
Leopoldo Haar (1910-1954), Luiz Sacilotto (1924-2003) e liderado pelo
artista e crítico Waldemar Cordeiro (1925-1973), o grupo propõe em seu
manifesto a "renovação dos valores essenciais das artes visuais", por
meio das pesquisas geométricas, pela proximidade entre trabalho
artístico e produção industrial, e pelo corte com certa tradição
abstracionista anterior. Os desdobramentos da arte concreta na poesia
se evidenciam em São Paulo pelo lançamento da revista Noigandres, em
1952, editada pelos irmãos Haroldo de Campos (1929-2003) e Augusto de
Campos (1931) e por Décio Pignatari (1927). No Rio de Janeiro, por sua
vez, alunos do curso de Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de
Janeiro - MAM/RJ, tendo como teóricos os críticos Mário Pedrosa
(1900-1981) e Ferreira Gullar (1930), formam o Grupo Frente, em 1954.
Fundado por Aluísio Carvão (1920-2001), Carlos Val (1937), Décio Vieira
(1922-1988), Ivan Serpa, João José da Silva Costa (1931), Lygia Clark
(1920-1988), Lygia Pape (1929-2004) e Vincent Ibberson, e ao qual
aderem em seguida Hélio Oiticica (1937-1980) e César Oiticica (1939),
Elisa Martins da Silveira (1912-2001), Emil Baruch, Franz Weissmann
(1911-2005), Abraham Palatnik (1928) e Rubem Ludolf (1932), o grupo
concreto carioca prega a experimentação de todas as linguagens, ainda
que no âmbito não-figurativo geométrico. À investigação paulista
centrada no conceito de pura visualidade da forma, o grupo carioca opõe
uma articulação forte entre arte e vida - que afasta a consideração da
obra como "máquina" ou "objeto" -, e uma maior ênfase na intuição como
requisito fundamental do trabalho artístico. As divergências entre Rio
e São Paulo se explicitam na Exposição Nacional de Arte Concreta (SP,
1956 e RJ, 1957), início da ruptura neoconcreta, efetivada em 1959.
Atualizado em 19/07/2005
enciclopédia ITAÚ CULTURAL
|  | A Pintura Pintada... ou o que o olhar captura... ou como era belo o meu fotolog/nighteroi...
Agora eu vou postar imagens que eu publicava no falecido fotolog do carvalho... cenas e coisas capturadas no meu caminhar pelo "locus urbanus"...
fiquei motivado por ver os álbuns publicados pelo THE FOOT e Babatngon.
Portanto, fica dedicado à estes dois olhares sensíveis as imagens que virão a seguir.
Sinceramente, Luiz Calos de Carvalho
THE FOOT LINHAS BabatngonAbstract / Minimal |
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