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Blog EntryLuzes vermelhas se apagam...Sep 21, '07 9:19 PM
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Luzes vermelhas se apagam na zona de prostituição de Amsterdã


AMSTERDÃ (Reuters) - Cerca de um terço das famosas vitrines onde prostitutas se exibem sob luzes vermelhas, no centro de Amsterdã, vai desaparecer com a venda de uma grande rede de bordéis.

Uma imobiliária vai adquirir 18 estabelecimentos, atualmente com 51 vitrines, por cerca de 25 milhões de euros (35 milhões de dólares), disse a prefeitura.
Em novembro de 2006, a prefeitura revogou os alvarás de funcionamento de 33 bordéis suspeitos de envolvimento em atividades criminais, como lavagem de dinheiro e narcotráfico. Os donos de bordéis recorreram à Justiça e venceram.

As autoridades turísticas admitem que o bairro das luzes vermelhas, existente há 700 anos -- uma confusão de becos e canais, repletos de sex shops, prostitutas e "coffee shops" vendendo maconha -- é uma atração turística tão importante quanto o museu Van Gogh ou a casa de Anne Frank.

O prefeito Job Cohen disse não ter planos de acabar com a prostituição em Amsterdã, mas acha que a concentração de sexo no centro da cidade é elevada demais.
(Por Harro ten Wolde)

Photo Albumbons momentos pedem um bom café (1 photo)Sep 1, '07 10:16 AM
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Marketplace ItemFor Sale: novas linguagens do CarvalhoDec 20, '05 8:59 AM
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Category:   Collectibles
Price:   de 100 a 500 reais

metalinguagem
[De met(a)- + linguagem.]
S. f.
1. E. Ling. A linguagem utilizada para descrever outra linguagem ou qualquer sistema de significação: todo discurso acerca de uma língua, como as definições dos dicionários, as regras gramaticais, etc. Ex.: chover é um verbo defectivo. [Cf. função metalingüística.]
2. P. ext. Linguagem mediante a qual o crítico investiga as relações e estruturas presentes na obra literária.
dic. Aurélio

METALINGUAGEM
arte digital, manipulação em photoshop
640x480 pixel
terça-feira, 20 de dezembro de 2005, 11:39:32
luiz carlos de carvalho

Trabalho da série "Metendo a língua na contemporaneidade", onde o artista experimenta novas linguagens no nicho localizado entre a modernidade e pós-modernidade. Uma linguagem segura de quem já domina com destreza a linguagem e tem expressão dinâmica no corpo da obra. Percebe-se que a nova linguagem do Carvalho tem a acuidade do discurso contemporâneo quando a língua é novamente paradigma provocando na arte arrepios de origem conceitual. Sente-se na forma e volume do objeto uma imagem sedutora e apelo estético provocador. Isso demonstra a habilidade do artista no uso da língua como forma de expressão madura e inquieta. É um prazer sentir nestes novos trabalhos do Carvalho uma linguagem sutil de quem já fala a língua universal da arte contemporânea.

Epitáfio Pessoa
Poeta falecido de língua portuguesa
Também especialista em linguagem experimentais

o Ministério da Cultura adverte: use a lingua solta, experimente.


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LinkRede Brasileira de ProstitutasDec 18, '05 5:49 AM
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Link: http://www.redeprostitutas.org.br/

Filosofia e valores centrais

Assumir a identidade profissional e buscar o reconhecimento de nossa atividade.
Manter o movimento social de prostitutas organizado.
Igualdade social.
Liberdade, dignidade, solidariedade e respeito às diferenças.
Protagonismo e autonomia.
Valorização de nossa vida e de nosso trabalho: auto-estima.
Rejeição do abolicionismo e da vitimização.
Direito à cidadania e recusa do gueto.


julho de 2002, Beijo da Rua

Programão, programinha

Prostitutas e clientes revelam o que faz deles e delas boas ou más companhias

Soraya S. Simões

Bom cliente, cliente ruim. Boa profissional, má profissional. Qual é a sua na vida? Pra saber o que torna o sexo comercial um ótimo ou um péssimo programa, o BEIJO DA RUA saiu por aí, consultando o mundo da vida, seus homens e mulheres. A repórter Soraya S. Simões, com a sensibilidade feminina à flor da pele, e o jornalista Carlos Nobre, justo o oposto, encontraram histórias parecidas. Um bom papo antes, umas fantasias durante e o respeito depois são os principais elementos para um encontro especial. Já o descaso, a agressividade e a recusa da camisinha estragam qualquer programa. Mas não é só isso não. Tem muito mais. Leia a reportagem nas páginas 6 e 7 e tire as suas próprias conclusões. >> SEGREDO DO ÓTIMO ENCONTRO É DESCOBRIR E REALIZAR FANTASIAS Os personagens da cena: um cliente e uma prostituta. A peça-chave da trama: o desejo. Normalmente imaginamos que esses ingredientes são o suficiente para que exista a chance de rolar um programinha. Mas será que só isso basta para que o programa não corra o risco de se transformar numa imensa furada? O que mais é preciso para que o tão desejado encontro garanta a satisfação da prostituta e do cliente?

Com essas perguntas na cabeça e um copo de cerveja na mão, o Beijo sentou por aí para ouvir dos personagens dessa história tudo aquilo que pode até provocar um acidente de trabalho para as musas da vida e o que, para os clientes, dá aquele gostinho de "quero mais". Descobrimos que o buraco fica realmente mais embaixo quando é a qualidade do programa que está em jogo, fazendo com que tanto a prostituta quanto o cliente considerem a conquista do prazer do outro o objetivo da relação.

"Antes de mais nada tem que amar a vida". É assim que pensa Andréa, uma morena de 29 anos que deu o seu recado da janela da casa onde trabalha, na Vila Mimosa. De lá, entre um olhar e outro para acompanhar o vai-e-vem da clientela, a moça contou que gosta de um bom papo antes da transa para identificar os anseios do outro e, assim, garantir a satisfação de ambos: "Gosto muito de ser levada e isso depende do homem, da postura dele". Andréa aposta que o sucesso do seu trabalho decorre, antes de tudo, do respeito pelo seu próprio prazer, pois, segundo experiência própria, o que o cliente gosta é de saber que está agradando. "O problema é que muitos acabam se apaixonando. Mas tudo bem: a boa prostituta é mesmo uma mulher apaixonante!"

Carla, da boate Oásis, em Niterói, concorda com a colega e vai além: "É fundamental saber conquistar, fazer com que o cliente volte a te procurar. Pra isso tem que ser simpática, saber conversar, trocar idéia e também saber se impor nas negociações antes mesmo de ir pra dentro do quarto". Quanto à paixão, Carla diz que só há problemas quando é ela mesma quem sucumbe: "Aí acaba o profissionalismo: fico atrás dele, não faturo e ainda corro o risco de me machucar", diz.

MULHER COMPLETA - Mesmo trabalhando há apenas três semanas, Valeska, 19 anos, prostituta da mesma boate, demonstra segurança para afirmar que os clientes gostam mesmo é de se aquecer com uma boa conversa. Muitas colegas, diz ela, ignoram essa demanda e acabam não formando clientela própria. "Por isso muitos fregueses reclamam e dizem que a mulher é fria. Prostituição é uma escola onde você aprende a ser uma boa mulher, uma mulher completa".

Pelo visto, ter prazer no "antes" melhora o "durante" e satisfaz o "depois". Mas nem todo mundo pensa assim. Fausto, assíduo freqüentador da Vila Mimosa, dia desses reclamava que uma prostituta evitou beijar sua boca. O moço só esqueceu de contar que a eleita ainda não havia notado sua presença e que a surpresa do beijo roubado nem sempre é bem-vinda. "Mas ela não é puta?", perguntou para um amigo, que também se esqueceu de lhe dizer que entre ele e a prostituta não existem diferenças. Afinal, se todo mundo tem vontades e preferências, nunca é demais procurar saber onde é que elas estão.

FANTASIA - Pelo menos é assim que pensam outros clientes que encontramos no caminho. Entre eles André, um "verdadeiro amante das prostitutas", que busca, antes de mais nada, alguma afinidade com a profissional para que role um programa satisfatório. "É bom sentir reciprocidade, porque pra mim o tesão está na fantasia de que o momento é bom pros dois. A pergunta `você já gozou?' é a última coisa que um homem quer ouvir". E é exatamente isso que Mil e Uma Noites, lendário personagem da Vila Mimosa, ensinou, durante anos, para as mulheres que trabalharam em sua casa. "As mais inexperientes acham que, por serem novas, têm que transar rápido e tratar o homem que nem galo. O sexo não pode ter pressa, tem que mentalizar. E o cliente gosta de ser bem tratado. Sendo bem tratado, ele volta pra procurar aquela mulher. Mas para a que não trata ele bem, não volta mais. Praquela mulher não volta mais".

O desprezo pelo cliente ou pelo próprio trabalho seria então indício da falta de profissionalismo? Diretamente da terma Excentric, em Niterói, Gisele afirma que sim, garantindo que a boa profissional capricha no comportamento e no visual para proporcionar momentos agradáveis durante a jornada de trabalho. "Procuro ser educada, realizar fantasias, estar sempre cheirosa. Com isso já garanti minha clientela fixa. Nem corro o risco de ficar na mão, porque trato o cliente como gostaria de ser tratada".

Ao que tudo indica, neste éden de desejos sexuais, apenas um ingrediente parece ser realmente indispensável, quando perguntamos o que as profissionais e os clientes esperam um do outro e deles mesmos para garantir a qualidade do programa: vestir a fantasia certa para embarcar numa mesma viagem a dois - ou a três, a quatro...

>> PECADO CAPITAL DO CLIENTE É RECUSAR CAMISINHA. E BEBER MUITO

Num tempo em que a qualidade do serviço prestado se tornou fundamental, as profissionais do sexo estão atentas para o seu desempenho com os clientes. Em conversa com o Beijo, prostitutas da Vila Mimosa, Praça Tiradentes e Praça Mauá elegeram 9 categorias negativas que as tornam péssimas trabalhadoras do sexo. As características positivas são 6. Com os clientes, foram mais boazinhas. Eles são ruins em 6 itens e bons em 12.

Para elas, o pecado capital de um cliente é não querer usar a camisinha. Já o maior defeito de quem se diz prostituta é usar o nome da profissão para roubar.

As outras características negativas que prejudicam a imagem da profissional do sexo, de acordo com elas mesmas, são: atender mal, ser impaciente, mudar o valor (para mais) do programa, estar mal arrumada, fazer trottoir seminua, se drogar e não ter educação.

Além de não querer usar camisinha, o péssimo cliente ostenta as seguintes características negativas: não tem higiene, exige muito e paga pouco, é agressivo, quer ficar a noite inteira no quarto, fica bêbado e não se decide a fazer o programa, prendendo a mulher na mesa do bar ou da boate.

Coordenadora de projeto no Davida, Carmem Lúcia Nascimento de Almeida é severa com as prostitutas e tolerante com os fregueses. Na Vila Mimosa, que conhece bem, ela acha que algumas mulheres banalizam a nudez, outras se drogam e tratam mal os clientes. "Mas existem clientes que dão vida boa a elas, levam para festa e almoço", conta. Segundo Carmem, as mulheres acham que o bom cliente é o homem bonito, pois acreditam que terão prazer com ele na cama.

MARIDO – Maria Nilce Evaristo, que batalha na Tiradentes e tem 20 anos de profissão, diz que o bom cliente também é aquele que já mantém uma relação antiga com a profissional do sexo. "Acaba virando uma relação mais íntima e de confiança", avalia. Na sua opinião, o péssimo cliente trata mal as mulheres, é agressivo, paga pouco e abusa da bebida.

Para Ana Maria, Márcia Cristina e Rogéria, da Praça Mauá, as mulheres agüentam muitos clientes indesejáveis porque precisam do dinheiro. Se pudessem escolher, contam, eliminariam das suas listas clientes enjoados, que ficam passando a mão na mulher. “Eles gastam muito tempo para decidir se vão ou não pagar o programa”, diz Regéria.

Limpo, bom caráter, boa conversa e paga bem. Este é o perfil do bom cliente traçado por Viviane Moraes e Rita Maria Viana, agentes multiplicadoras de Davida. "O péssimo é aquele que cheira mal, dá muito trabalho, paga pouco e exige muito. Tem muitos deles por aí", alerta Rita, que exerce a profissão.

Bia, Andréa, Kely, Bianca, Cleide, Paula, Cris, Larissa e Amanda, da Vila Mimosa, põem mais lenha ao debate. Para Bia, o bom cliente deve ter uma visão social. "Ele deve entender o nosso trabalho e compreender que não estamos aqui para passar tempo", diz. "Bom cliente é o que entende nossas necessidades de sobrevivência", acrescenta Kely, acompanhada por Cris.

PÃO-DURO – Na hora de avaliar o péssimo cliente, o argumento social volta com força. "Ele não entende que estamos aqui para trabalhar e fica de pão-duragem", diz Bia. "Não percebe que estamos aqui para sustentar nossos filhos", reforça Andrea. "É aquele que vem com camisinha no bolso já furada para nos passar doenças", acrescenta Cleide, da Associação da Vila Mimosa.

Trabalhando na Praça Mauá e Tiradentes, Dayse, de 43 anos, dois filhos e três netos, diz que consegue ter bons clientes apesar da "vida tumultuada". Há 12 anos mantém um cliente que garante só transar com ela. E ele não é o único dos mais velhos na sua agenda. Seu segredo? "Dou muita paciência para eles. Exerço até o papel de psicóloga", diz ela, que ouve pacientemente os problemas dos homens em casa e no trabalho.

>> ELAS FALAM DELES E DELAS

BOM CLIENTE Limpo Bom pagador Educado e carinhoso Dá prazer à mulher Leva para festa, almoço e passeio Dá presente Faz gozar Entende a profissão Usa camisinha Respeita o combinado Não se apaixona Não é ciumento É objetivo: pergunta o preço e não pechincha

MAU CLIENTE Paga pouco e exige muito Não quer usar camisinha Não se decide É agressivo Cheira mal Apaixona-se e tem crises de ciúmes Quer tirá-la "dessa vida" Bebe muito Não paga o combinado

BOA PROFISSIONAL Anda arrumada e cheirosa Não abusa de bebida Paciente Sabe colocar a camisinha Procura descobrir a fantasia do cliente Negocia antes do programa Realiza o combinado É apaixonante Identifica o bom cliente Preserva a intimidade dele Sabe fazer o cliente voltar Não faz fofocas enquanto está na batalha

PÉSSIMA PROFISSIONAL Ignora a conversa do cliente Não se interessa por ele Não realiza o combinado Trabalha só para sustentar vícios Não usa camisinha Não gosta do seu trabalho É fria e impaciente Muda o valor do programa Dá porre no cliente Trata mal o cliente Anda mal vestida ou nua Rouba ou usa drogas

>> ELES FALAM DELAS E DELES

BOA PROFISSIONAL É compreensiva Demonstra interesse por ele Gosta da transa Nunca pergunta se ele já gozou Demonstra que ele é alguém especial Gosta de conversar Realiza o combinado Usa e sabe colocar a camisinha

MÁ PROFISSIONAL Não demonstra interesse pelo homem nem pela transa Pergunta se ele já gozou Não gosta de conversar Não faz o combinado Não sabe pôr a camisinha

BOM CLIENTE É objetivo Gosta de conversar Respeita a prostituta É carinhoso Chega com educação Não pechincha Usa camisinha

CLIENTE RUIM Insiste em fazer o que a mulher não está a fim É agressivo Não paga o combinado

>>DICAS DELES E DELAS

Quem batalha com a consciência de que está trabalhando é mais responsável do que quem está fazendo bico

O respeito pelo próprio trabalho é fundamental para a mulher se preservar

Sentir que está agradando, que a mulher tem prazer

Respeitar o próprio prazer

Tentar descobrir a vontade do outro

O desrespeito à prostituta pode ser também sintoma da baixa estima do cliente



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sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

PARANGOLÉ DASPU MARCA O LANÇAMENTO MUNDIAL DA GRIFE DASPU.

Do encontro anterior da obra de Helio Oiticica com a comunidade da Praça
Tiradentes, em 2001, com a realização da exposição Alem do Espaço, surgiu
o namoro entre a Rede Nacional de Prostitutas e essa invenção que une a
arte e a vida chamada Parangolé. Dançando durante dois meses com
Parangolés na esquina do Centro de Arte Helio Oiticica, algumas das moças
que ali trabalham puderam comprovar aura rompedora de barreiras sociais e
preconceitos desta obra.

O sucesso desta experiência foi o embrião da idéia de uma intervenção ainda
mais profunda, injetando arte na vida do Centro do Rio, especificamente na
região da Praça Tiradentes, integrando o Bloco Prazeres da Vida, organizado
pelo Hotel Paris em conjunto com a ONG Da Vida, dirigida pela escritora e
ex-prostituta Gabriela Leite, e a recém-criada e já badalada grife Daspu, a
ações artísticas que envolvem várias instituições e grupos diversos de criadores
nos variados segmentos da arte como: Projeto Hélio Oiticica, Gentil Carioca,
Hapax, Imaginário Periférico, Carnaval da lata, e artistas de diversas áreas
como Ronald Duarte, Alexandre Vogler, Guga , Samir Abujamra, João Pimentel,
César Oiticica Filho, entre outros.

Photo AlbumGabriela Leite (3 photos)Dec 17, '05 8:35 PM
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Liberdade nas ruas

Março de 2004

Muito penso ultimamente sobre uma afirmação recorrente de minhas colegas: a de que trabalhar na rua e nas boates é muito melhor devido à liberdade. A maioria de colegas e amigas da nova geração de profissionais do sexo não gosta de trabalhar em zonas fechadas.

Em todas as cidades em que trabalhei sempre foi em zona, e todas as vezes que tentei trabalhar na rua não ganhei nem para o café. Me sentia muito peixe fora d'água, muito solitária, e tinha medo da polícia. Já na zona me sentia protegida e, ao mesmo tempo, como uma incorrigível romântica, tinha a sensação de estar bebendo a água do passado, dos tempos áureos dessas áreas. Por exemplo: trabalhar nos prédios da Boca do Lixo de São Paulo me fazia pensar nos tempos em que o centro velho paulistano abrigava a boêmia pensante de então, me fazia pensar nos tempos de efervescência do cinema maldito da Boca do Lixo, que ficava ao lado da zona. Quando eu trabalhava lá, as produtoras já estavam em decadência e o grande momento já tinha passado, mas eu andava por aquelas ruas, ainda via alguma movimentação e ficava imaginando como teria sido. Também quando trabalhei na zona boêmia de Belo Horizonte, pensava muito na época de Hilda Furacão, quando a zona era uma parada obrigatória de intelectuais, boêmios e mulheres bonitas e elegantes. Permanecer nesses espaços tradicionais, ouvir histórias dos mais antigos, beber do romantismo sempre foi um grande tesão de minha vida. Por isso sonhei em reeditar esses espaços. Eu sempre cheguei atrasada, na decadência dos lugares, mas o sentido e o cheiro histórico estavam lá e me faziam muito bem.

Os anos se passaram e aqui estou eu, tentando refazer conceitos a partir da visão de mundo da maioria de minhas colegas da geração atual. Claro que há exceções, mas uma grande maioria não gosta de zona. Na rua faz-se o próprio horário, não se paga aos empresários da prostituição para trabalhar (quem paga o hotel é o cliente). Não se vive num mundo à parte, criado pela sociedade para isolar as profissionais do sexo, e não se respira com tanta intensidade a marginalidade. Zona, ao mesmo tempo que é uma criação da sociedade, um espaço específico para resolver o "problema" da prostituição, é também um espaço "tolerado", portanto extremamente marginal e estigmatizante. Quando a rainha da Inglaterra esteve no Rio de Janeiro, em 1968, os governantes militares resolveram colocar um grande tapume nas ruas da zona do Mangue para esconder a "vergonha" da prostituição de senhora tão aristocrática. O tapume virou um símbolo da divisão dos dois mundos. De um lado o mundo moralmente direito, de outro as mulheres "desviadas". Os homens faziam buracos no tapume para espiar as desviadas, e as senhoras direitas, quando passavam de ônibus e tinham de responder aos filhos o que era aquilo, diziam: Do lado de lá está a vergonha! Também os empresários da prostituição de zonas, com exceções, sempre menosprezaram as prostitutas. Viveram e muitas vezes ficaram ricos em função da nossa profissão, e no entanto, assim como o restante da sociedade, sempre nos consideraram mulheres "perdidas" e "desviadas".

A liberdade das ruas de que tanto falam minhas colegas me inspirou a pensar sobre o lado não-romântico das zonas de prostituição. Sobre o seu lado perverso e estigmatizante. Rever conceitos é sempre muito bom. As prostitutas da geração atual estão me ajudando a revê-los.

Penso hoje que a história não é romântica. Reviver a história é bobagem. Fazemos história todos os dias. O lindo da história é perceber que o passado é hoje e que a cada dia construímos nossa quase inalcançável liberdade.

Viva a liberdade das ruas, viva o poste da esquina, viva as luzes das noites, viva as pessoas que num vai-e-vem frenético passam todos os dias pelas ruas, nos vêem, e por mais que uns tenham e outros não tenham preconceito, sabem que estamos ali e fazemos parte do mesmo mundo que elas.

Coluna da GABI

Photo AlbumDASPU - beijo da rua (11 photos)Dec 17, '05 8:19 PM
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PARANGOLÉ DASPU MARCA O LANÇAMENTO MUNDIAL DA GRIFE DASPU.

Do encontro anterior da obra de Helio Oiticica com a comunidade da Praça
Tiradentes, em 2001, com a realização da exposição Alem do Espaço, surgiu
o namoro entre a Rede Nacional de Prostitutas e essa invenção que une a
arte e a vida chamada Parangolé. Dançando durante dois meses com
Parangolés na esquina do Centro de Arte Helio Oiticica, algumas das moças
que ali trabalham puderam comprovar aura rompedora de barreiras sociais e
preconceitos desta obra.

O sucesso desta experiência foi o embrião da idéia de uma intervenção ainda
mais profunda, injetando arte na vida do Centro do Rio, especificamente na
região da Praça Tiradentes, integrando o Bloco Prazeres da Vida, organizado
pelo Hotel Paris em conjunto com a ONG Da Vida, dirigida pela escritora e
ex-prostituta Gabriela Leite, e a recém-criada e já badalada grife Daspu, a
ações artísticas que envolvem várias instituições e grupos diversos de criadores
nos variados segmentos da arte como: Projeto Hélio Oiticica, Gentil Carioca,
Hapax, Imaginário Periférico, Carnaval da lata, e artistas de diversas áreas
como Ronald Duarte, Alexandre Vogler, Guga , Samir Abujamra, João Pimentel,
César Oiticica Filho, entre outros.

O evento acontecerá nos dias 16 e 23 de dezembro e nos dias 13, 20 e 27 de
janeiro de 2006. A ideia é firmar nas sextas-feiras, dias dos ensaios do bloco,
um grande encontro da alma artística carioca. As esquinas das ruas Leopoldina
e Luiz de Camões, onde estão o Centro de Artes Helio Oiticica e o Hotel Paris,
coração da zona boêmia da Praça Tiradentes, vai ser povoada pela arte, vai
juntar os dois lados da cidade e funcionar como uma ação social informal,
buscando também um espaço aberto à experimentação livre e despida de
preconceitos.

PRIMEIRO DIA

O primeiro dia do evento contará com a apresentação do Grupo Hapax , da
bateria do bloco Prazeres Da Vida, com projeção de slides e marcará o
lançamento mundial da grife Daspu. Criada pela ONG Da Vida, a Daspu, mais
do que uma maneira de gerar renda para as meninas que trabalham na Praça
Tiradentes, que emprestam a sua visão humana para o mundo da moda,
é um passo dado para, através do contato com o público, quebrar um pouco
o imenso estigma social.

A aproximação da classe artística com a ONG Da Vida é uma forma de se
encurtar as barreiras sociais e uma mensagem pela democratização do acesso
à cidadania num Brasil de discrepâncias sociais. Mas também uma resposta bem
carioca à caretice que parece achatar a criatividade, o bom-humor e que isola,
ao invés de agregar, os diversos setores da sociedade. E a forma do carioca se
expressar é através da arte, da música e da interação.

A Praça Tiradentes é do Parangolé, é Daspu e de todos nós!!!


SERVIÇO: PARANGOLÉ DASPU

DIAS
SEXTAS-FEIRAS
16 e 23 de DEZEMBRO de 2005 e
13, 30 e 27 DE JANEIRO de 2006.

LOCAL
ESQUINA da RUA LEOPOLDINA com LUIZ DE CAMÕES
PRAÇA TIRADENTES

PROGRAMAÇÃO DO DIA 16

18H - BATERIA DO BLOCO PRAZERES DA VIDA
19H30M - SHOW DO HAPAX
20H - DESFILE INAUGURAL DA GRIFE DASPU
21H - PRIMEIRO GRITO DE CARNAVAL DO BLOCO PRAZERES DA VIDA


DURANTE TODA A NOITE HAVERÁ PROJEÇÕES DE FILMES E
INTERVENÇÕES DE ARTISTAS PLÁSTICOS, POETAS, ETC.

Photo Albumnight, urban landscape (1 photo)Dec 17, '05 7:38 AM
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paisagem urbana
praça tiradentes, RJ

Photo AlbumANJOS DA NOITE! (3 photos)Dec 17, '05 7:30 AM
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..."Do encontro anterior da obra de Helio Oiticica com a comunidade da Praça
Tiradentes, em 2001, com a realização da exposição Alem do Espaço, surgiu
o namoro entre a Rede Nacional de Prostitutas e essa invenção que une a
arte e a vida chamada Parangolé. Dançando durante dois meses com
Parangolés na esquina do Centro de Arte Helio Oiticica, algumas das moças
que ali trabalham puderam comprovar aura rompedora de barreiras sociais e
preconceitos desta obra."
...
LANÇAMENTO MUNDIAL DA GRIFE DASPU.

Linkbeijo da ruaDec 17, '05 6:56 AM
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Link: http://www.beijodarua.com.br/

uma publicação de Davida

FUNDADORA: Gabriela Silva Leite

EDITOR: Flavio Lenz
ARTE: Fernando Pena
ILUSTRAÇÔES: Aliedo
REPORTAGENS: Carlos Nobre, Marcos Silva, Friederike Strack e Flavio Lenz


Blog EntryCafetinas e cafetõesDec 17, '05 6:46 AM
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Cafetinas e cafetões

Cafetinas. Sempre foi esse o nome que utilizamos para denominar as empresárias da prostituição. Interessante que o correspondente no masculino, cafetão, nunca foi utilizado para essa função específica, e, sim, para os caras que exploravam mulheres com a justificativa de "protegê-las". Nas antigas zonas, os raros empresários eram chamados de donos de casa, jamais de cafetão. Eles se sentiam humilhados.

Escrevo esta coluna sobre essa personagem. Muitas fizeram história, outras nem tanto. Em comum o viver da indústria do sexo, exercer uma atividade ilegal e por isso mesmo ser o dono absoluto das leis internas de uma zona de prostituição. O relacionamento da profissional do sexo com a cafetina/cafetão sempre foi tenso e ambíguo, raramente profissional e mais raramente ainda de respeito.

Para quem não conhece os meandros da prostituição é muito fácil confundir e muitas vezes colocar todos os personagens da prostituição no mesmo saco. Tanto faz, para quem está de fora, se a pessoa é prostituta, cafetina, vendedora de utilidades várias. Está no meio da prostituição, vale o estigma maior. Todos, segundo a máxima popular, vendem o corpo.

Primeiramente nunca é demais lembrar que a profissional do sexo não está contra a lei. Vale para ela o direito de intimidade e privacidade. A cafetina/cafetão, sim. Sua atividade está no Código Penal, como contravenção.

E aí que entra a grande questão. Esses artigos no Código Penal deveriam ser suprimidos e as cafetinas/cafetões passar a gerir seu negócio dentro das leis de empresas e leis de proteção ao trabalhador. Eliminaríamos assim a clandestinidade dessa atividade. Clandestinidade que traz para a profissional do sexo inúmeros prejuízos e para eles o "direito" de fazer em seus domínios o que bem entenderem.

Casas de prostituição, seguindo o rigor da lei, são proibidas. Mas como a lei está mais do que caduca (o Código Penal é de 1940) e como a prostituição é uma realidade, criou-se um jeitinho: são toleradas, por isso é comum ouvir a expressão "casas de tolerância". A tolerância, somada à clandestinidade, cria uma terceira mazela: a corrupção. As cafetinas/cafetões não pagam seus deveres como empresários, não têm direitos legais, mas pagam a propina para serem tolerados.

E quando esse enorme emaranhado chega na profissional do sexo, a questão fica muito mais pesada. Com raras exceções (e as exceções só existem para confirmar a regra), a exploração é muito grande e muitas vezes até impensável para quem está de fora. Em muitas cidades a profissional do sexo tem que pagar uma diária para trabalhar, e, se ficar doente, grávida, ou mesmo se quiser descansar, tem que pagar. Se não for trabalhar hoje, amanhã paga duas diárias. Quer dizer, paga para trabalhar. Profissional do sexo quase sempre não tem razão. Afinal, é uma mulher que está no "último degrau da vida" e portanto deve ser tratada rudemente.

Em outras cidades, a profissional do sexo fica presa na casa. Faz dois anos estive no Amapá com Lourdes Barreto, nossa liderança na Região Norte, fazendo um mapeamento da prostituição naquele estado. No Oiapoque, encontramos uma casa de prostituição gerenciada por um rapaz de menos de 25 anos, que durante o dia prendia as mulheres na casa com cadeado, abrindo à noite para os fregueses. Escravidão com abuso sexual, porque a condição primeira para uma mulher trabalhar era que teria de fazer sexo com ele, sempre que ele exigisse.

A princípio não tenho nada de pessoal contra essas pessoas, donas de casas de prostituição. Sou contra a ilegalidade e a clandestinidade. Quero que um dia eles assumam o seu papel e passem a ser empresários e empresárias esclarecidos. Proponho inclusive a essas pessoas que criem sua associação patronal e comecem a lutar pela legalização de sua atividade. Nós, prostitutas organizadas, podemos auxiliar nessa empreitada. Só não queremos que falem em nosso nome, só não queremos que confundam papéis. Patrão é patrão. Trabalhador é trabalhador. Assumam seu lugar de empresários da prostituição e pelo menos uma vez na vida lutem e se mostrem. Não tenham medo e nem tenham vergonha. Lembrem-se: nosso profissionalismo, charme, beleza e simpatia sempre fez de vocês empresários de sucesso. Então, por favor, mais profissionalismo e respeito e menos desmandos e soberba




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