Luiz Carlos' posts with tag: baú do carvalho

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Photo AlbumBoa Noite, Anjo! (1 photo)Dec 28, '07 8:57 PM
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Photo AlbumBoa Noite, Anjo! (1 photo)Dec 28, '07 8:50 PM
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Photo Albumo tempo passa... (1 photo)Dec 28, '07 7:54 PM
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Blog EntryMESA RÚSTICA É OUTRA COISA! de Ney ReisAug 20, '07 10:04 PM
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Conto 14

                      MESA RÚSTICA É OUTRA COISA!

    Estávamos redecorando a casa. Dizem que é bom para mudar as energias no lar etc. Mas entenda: redecorar, nas nossas condições financeiras, é antes de tudo adaptar. Primeiro, uma explicação: minha mãe arrumou a casa à sua imagem, semelhança e falta de gosto, quando era apenas a residência de fim de semana, a casa de veraneio da família. Eu sempre quisera mudar algumas coisas, mas a casa era dela!
    Só que agora era diferente: eu morava ali. E Viviane também. Portanto, time to make changes! Tempo de fazer mudanças! Em primeiro lugar, aproximei os sofás e fiz um “éle”, com a mesa de centro mais próxima. Dava até para botar os pés sobre ela durante as transmissões de futebol! Ou novelas.
    Depois, espalhei as bugigangas de minha mãe pela casa (a maioria escondi no sótão) e tratei de botar meu aparador Ricardo Campos na sala, com o telefone, o sem-fio e os porta-retratos. Mudei o aparelho de som do lugar e preguei muitos pregos na parede, para pendurar os quadros do meu amigo Luiz Carlos de Carvalho — a maioria comprada quando eu tinha dinheiro suficiente para gastar até em arte. Os outros, ele me deu, depois que me tornei um duro. Amigo é para essas coisas.
    E eu os adorava. Nunca tinha ido a Nova Iorque (até mesmo preferia Paris), mas minhas paredes exibiam duas paisagens neo-impressionistas urbanas de Times Square, duas do SoHo, uma do Village e uma da estação de metrô de Queens. Viviane reclamava:
— Uma casa no meio do mato, cheia de quadros urbanos... Não tem nada a ver!
    E eu explicava:
— Por isso mesmo, tem a ver! Quando moramos na cidade, enchemos as paredes com paisagens campestres, árvores, lagos, patinhos, cavalos, choupanas... Aqui, quem quiser ver mato só precisa olhar pela janela! A paisagem urbana é o contraponto, entendeu? — perguntei, sem esperar que entendesse.
    Nessas horas, eu decidia e pronto! Que os historiadores me desmintam: foram vários séculos de machismo e eu não entregaria a rapadura assim, em dois anos! Portanto, minha sala ficou moderníssima! Inclusive, emocionou a mãe do artista (Dona Mercedes), na primeira vez em que nos visitou.
— Você gosta mesmo do trabalho do meu filho! — exclamou ela, enquanto Viviane preparava um suflê de queijo, na cozinha, em sua homenagem.
    Bom, as paredes estavam resolvidas. Os quartos também: mudei uma cama para o sótão (que só servia como dormitório, por causa de seu pé-direito baixíssimo), botei a nossa cama de casal num quarto, entulhei os quadros horrorosos de minha mãe no seu, enchi a sua cômoda de retratos do meu filho para ela ficar contente (era o xodó da vovó!) e pronto! Agora, a varanda!
    Bom, esqueci alguns cacarecos. Uma tapeçaria exageradamente grande e colorida foi deslocada para o corredor. Um porta-chapéus que apodrecia sob uma cama no sótão mudou-se gloriosamente para o mesmo corredor de baixo, que ligava a sala e a cozinha aos quartos, “para as visitas pendurarem seus casacos e bolsas”. E uma mesinha bastante avariada — mas que me foi dada pela falecida avó materna quando me mudei pela primeira vez — foi salva do lixo ao ir enfeitar o banheiro maior, onde, finalmente, podia-se defecar fumando ou lendo revistas (bastava colocar o cinzeiro e os exemplares velhos sobre a dita mesinha)!
    Bem, a varanda... Nela, durante anos, reinava absoluta uma daquelas mesas brancas de madeira, tipo beira de piscina, onde meu pai fumava um cigarro atrás do outro e enchia a cara de samba-em-berlim ou uísque-com-guaraná. Tinha quatro cadeiras. E havia uma parede de pedras, sem qualquer adorno, onde se destacavam dois abajúres fixos. Mais adiante, uma rede que os cachorros adoravam sujar de lama e alguns vasos com pés de metal, que os mesmos cachorros adoravam tombar, derrubando toda a terra, para ver se descobriam tesouros de ossos, raízes apodrecidas, restos de grilos ou besouros, comida caída de alguma boca falante...
    Pois bem: deu a louca e mudei tudo! Na parede de pedra, pendurei um belíssimo espelho que minha outra avó deixou encostado no quartinho dos fundos. E também alguns quadrinhos primários, talhados por algum naïf, que ficavam péssimos na sala mas ótimos ali. Botei a tal mesa branca de madeira para a frente da varanda e resolvi fazer uma espécie de living de verão na parte mais larga. Tirei poeira de uma velha cadeira de balanço esquecida no sótão, tirei também de uma outra cadeira com encosto alto, peguei alguns tocos de madeira que Viviane catara no mato, transformando-os em mesinhas de canto para copos, cinzeiros etc., e montei um quadrado perfeito, completado pelo banco de madeira que, meses antes, comprei à prestação na lojinha de móveis mais próxima (acho que já falei disso antes).
    Faltava, porém, uma mesa de respeito, no centro, onde pudéssemos botar garrafas de uísque, latinhas de cerveja, tênis sujos em dias de chuva, pratinhos com tira-gostos, cinzeiros velhos, chaves de fendas, papel amassado, restos de chocolates, álbuns de fotografias, guarda-chuvas, o telefone-sem-fio e tudo o mais que se costuma largar sobre uma mesa de varanda. Mas, que mesa?!

excerto de:
Contos da Pindaíba
2000/2003
Ney Reis

Blog EntryPRAZER EM CONHECE-LO!Aug 20, '07 9:51 PM
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PRAZER EM CONHECE-LO!

 Ney Reis

Em memória de Sérgio Gama Lobo

Que todos os amigos se afastam

e, em algum momento, vão

eu sei. E meus filhos saberão.

Que todos os amigos se encontram

(ou mesmo se lembram)

pode ser ou não,

mas eu sei

que, de algum modo,

amigos sempre serão.



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