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Category:   Collectibles
Price:   é o mais clandestino

Maioria de vendas de arte na Itália é clandestina, diz crítico
Por Roberto Bonzio MILÃO (Reuters) - Um importante crítico de arte italiano disse que cerca de 80 por cento das vendas de arte na Itália são conduzidas extra-oficialmente, para fugir da burocracia e dos impostos altos.
Por Roberto Bonzio
MILÃO (Reuters) - Um importante crítico de arte italiano disse que cerca de 80 por cento das vendas de arte na Itália são conduzidas extra-oficialmente, para fugir da burocracia e dos impostos altos.
Philippe Daverio, que na terça-feira vai abrir uma mesa-redonda para discutir o mercado de arte, disse que o mercado italiano é singular devido a sua natureza clandestina e a características como a venda de obras na televisão local, em horários noturnos.
"De todos os mercados mundiais de arte, o italiano é o mais clandestino, devido às leis restritivas, à taxação e ao forte controle exercido pelas autoridades sobre as vendas de obras antigas", disse à Reuters Daverio, que é crítico de arte da televisão estatal RAI.
"Eu diria que até 80 por cento das transações são feitas extra-oficialmente. É difícil estimar o volume, mas eu diria entre 1 bilhão e 2 bilhões de euros (1,35 a 2,69 bilhões de dólares)."
Ex-comissário de Cultura de Milão, Daverio vai dar seis palestras sobre o mercado italiano de arte em Roma e Milão, entre esta terça-feira e 26 de junho.
Ele disse que muitos compradores querem fazer "negociações com informações privilegiadas", promovendo especulações com obras de arte.
"Mas eles nunca conseguem", disse o crítico.
Daverio disse que o que dá mais satisfação é adquirir obras de artistas que não estão na moda ou que estão apenas iniciando suas carreiras.
Com preços tão baixos, disse ele, "é quase um roubo. Comprar as obras porque você mesmo as deseja, mais por seu próprio gosto que para investir, isso é o mais divertido".


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Grandes Mulheres Brasileiras - PAGU

PAGU: VIDA-OBRA, OBRAVIDA, VIDA
Antonio Risério

(...)"Pagu nem sequer trata a vida proletária paulista em geral. Detém-se no comportamento do proletário urbano feminino. Criticando a sociedade burguesa, de um ângulo socialista, é levada a ferroar a aristocracia paulista, ferindo velhos círculos sociais freqüentados pelos modernistas de 22. Concentrando-se nas mulheres operárias e lumpemproletárias, satiriza o feminismo burguês, acompanha moças pobres seduzidas, com promessas casamentais, por conquistadores ricos, seguindo, particularmente, a trajetória de Corina rumo à prostituição. Através de militantes como Otávia e Rosinha Lituana, mostra a necessidade de se dar uma consciência classista às mulheres dos operários, de modo que estas, apavoradas pela repressão policial, não tentem impedir a participação dos maridos nas movimentações sindicais. A única personagem masculina de peso, no livro, é Alfredo Rocha. Afora ele, o retrato é de massas: “Adeus cinco por cento no salário miserável! Oitenta mil operários se desiludem a põem aspas na Revolução!”, escreve, aludindo, possivelmente, a uma promessa do interventor João Alberto. 

Redigindo seu livro num momento de empolgação ativista, Pagu exagera na dose política, Sugerir a abolição de temas políticos no âmbito da produção estética é incorrer no avesso da moeda zdanovista. Mas, ao mesmo tempo, o texto literário constrói uma determinada organização do mundo. Ferir a lógica textual é derrapar em atavios, enxertos e ornamentos. Esta, quem sabe, a razão que levou Engels recriminar, na obra literária, a exibição muito explícita das opiniões políticas do autor. E Alain Badiou chamou a atenção para a existência freqüente, em textos estéticos, do que denominou conteúdos ideológicos separáveis, caracterizados por produzirem, per se, “um efeito de significação completa”, possuindo “a estrutura lógica de uma proposição universal” e não se referindo “contextualmente a nenhuma subjetividade”. São verdadeiros enclaves ideológicos implantados no texto, desajustados estruturalmente e funcionando de modo isolado. Parque Industrial ressente-se do peso excessivo de tais enunciados destacáveis. Clichês político-partidários (o jargão da militância) irrompe aqui e ali, imunes ao ambiente textual. Esta ignorância do contexto do texto, com o lugar-comum e o retrocismo conseqüentes, é o grande pecado do livro. 

Publicado Parque Industrial, Pagu deixa o país. O trabalho político diário, em condições adversas, conduz ao esgotamento físico. Cansada, e talvez visada pela polícia, Pagu segue para o exterior, percorrendo os EUA, Japão, China, URSS, Alemanha e França. Durante o périplo, trabalha como correspondente dos jornais Correio da Manhã, Diário de Notícias e A Noite. De passagem pela China, torna-se um dos responsáveis pela introdução da soja no Brasil. Conta Raul Bopp: “A escritora Patrícia Galvão, (...), numa viagem ao Oriente, fez relações de amizade com Mme. Takahashi, (...), casada com o Diretor da South Manchuriam Railway (...). Com a influência de sua amiga, Pagu tinha fácil acesso ao Palácio em Hsingking. Conversava informalmente com o jovem imperador Puhy. Ambos pedalavam as bicicletas, dentro do parque amuralhado da residência imperial. Quando, numa de suas viagens a Cobe, Pagu me narrou o ambiente de familiaridade que existia em Hsingking, pedi que ela procurasse arranjar com Puhy algumas sementes selecionadas de feijão soja”. Logo, Bopp receberia, procedentes da Mandchúria, 19 saquinhos com sementes de soja, que foram enviados ao Brasil e depositados em viveiros de aclimatação. Na mesma época, Mao Tsé-Tung e companheiros, depois de longa e famosa andarilhada, haviam declarado guerra ao invasor japonês na Mandchúria. Pu Yi, que em criança fora Imperador da China, era um fantoche manobrado pelo expansionismo nipônico. A comunista Pagu saberia disso tudo, enquanto pedalava nos jardins do palácio? Talvez. E quem sabe seguisse cegamente o Komintern, que nunca levou Mao a sério, insistindo no caráter democrático-burguês da revolução chinesa, assim aninhada sob as asas do Kuomintang e de seu chefete Chiang Kai-Shek, que chegou a ser condecorado por Stalin. "(...)

imagem: Patrícia Galvão, a Pagu, em 1929.
* Imagem reproduzida do livro Croquis de Pagu e Outros Momentos Felizes que 
Foram Devorados Reunidos



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